Animais em extinção no Brasil
O Brasil está repleto de animais bem diferentes e especiais que só existem neste país, verdadeiras raridades. No entanto, devido às mudanças que seus habitats têm sofrido ao longo dos anos, causadas sobretudo pela desflorestação, muitas dessas espécies têm perdido qualidade de vida, não encontrando condições favoráveis para viver e se reproduzir, o que as torna ainda mais raras. Atualmente, são 627 as espécies em perigo de extinção no Brasil, e esta é uma realidade bem infeliz porque é possível que, em breve, elas já não existam mais. Para dar a conhecer alguns dos animais em extinção no Brasil, preparámos este artigo de umComo.com.br.
- Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)
- Ararinha-Azul (Cyanopsitta Spixii)
- Muriqui (Brachyteles hypoxanthus)
- Sagüi-de-duas-cores (Saguinus bicolor)
- Mutum-do-nordeste (Mitu mitu mitu)
- Onça-parda (Puma concolor capricornensis)
- Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus)
- Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriácea)
- Perereca-verde (Hylomantis granulosa)
- Espadarte ou Peixe-serra (Pristis perotteti)
- Preservar habitat animal
Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)
Este simpático macaquinho é uma das espécies mais ameaçadas no Brasil, e suspeita-se que existam apenas 1000 indivíduos a viver em liberdade no país. A Reserva Biológica Poço das Antas e a Reserva Biológica União têm feito um grande esforço por proteger e manter esta espécie, mas, apesar dos resultados estarem a ser positivos, ainda não são suficientes para fazer com que os micos-leão-dourado deixem de ser considerados uma espécie em perigo de extinção. É crucial que o apoio a estas reservas continue crescendo, pois a perda de habitat e a fragmentação das florestas são desafios constantes.
Ararinha-Azul (Cyanopsitta Spixii)
Esta ave é bem fácil de identificar pelas suas penas em vários tons de azul no corpo e de tom mais claro na cabeça. É uma espécie de papagaio endêmica do Brasil e seu habitat era o estado da Bahia, em matas de galeria próximas de riachos sazonais. Em 2001, desapareceu a única ararinha-azul a viver em liberdade na natureza, e atualmente encontram-se apenas algumas dezenas em cativeiro. Esta é uma das espécies gravemente ameaçadas pelo corte indiscriminado de árvores e tráfico ilegal de animais. Projetos de reprodução em cativeiro têm sido implementados para tentar reintroduzir a espécie no seu habitat natural, mas o sucesso depende de uma proteção eficaz contínua.
Muriqui (Brachyteles hypoxanthus)
Tal como outras espécies de macaco existentes no Brasil, os Muriqui também se encontram na Lista Vermelha da IUCN inserido na categoria "Perigo", o que significa que este animal corre um grande risco de extinção na natureza. Existem dois tipos de Muriquis nesta situação: o Muriqui-do-Norte, de face negra com manchas esbranquiçadas e pelagem amarela-amarronzada, e o Muriqui-do-Sul, de face preta e pelagem bege. É o maior primata das Américas, chegando a pesar 12 kg e a medir 1,50 m. Existem pouco mais de três mil exemplares de Muriqui vivendo em parques estaduais e nacionais. A preservação dessas áreas é essencial para garantir sua sobrevivência, juntamente com a restauração de corredores ecológicos que permitam a migração segura entre diferentes habitats.
Sagüi-de-duas-cores (Saguinus bicolor)
O Sagüi-de-duas-cores, também chamado de soim-de-coleira, é mais uma das espécies de primatas em perigo de extinção no Brasil. O seu habitat é a floresta Amazônia, mais especificamente perto da cidade de Manaus, e tem vindo a ver seu território ameaçado devido ao crescimento desta. É um animal de hábitos diurnos, que vive na copa das árvores, e seu aspecto é muito característico: cabeça preta, coloração escura com exceção na zona do pescoço e patas dianteiras, onde é branca, e uma longa cauda, maior que o próprio corpo. O Sagüi-de-duas-cores é muito apreciado como animal de estimação, o que aumenta o risco de proteção deste animal. Esforços para educar a população sobre a importância da preservação desta espécie são fundamentais para reduzir a captura ilegal.
Mutum-do-nordeste (Mitu mitu mitu)
Esta é uma ave originária da Mata Atlântica brasileira e extremamente ameaçada devido à caça e à destruição de seu habitat para plantação da cana-de-açúcar, pelo que já não se encontra mais a viver livremente na natureza. Existem apenas 100 indivíduos, protegidos em cativeiro na Crax - Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre. Também conhecido por Mutum-de-alagoas, este animal possui cerca de 90 cm de comprimento, plumagem preta com reflexos azuis e bico vermelho. Iniciativas de reflorestamento e reintrodução controlada são estratégias que visam dar uma nova chance a esta espécie.
Onça-parda (Puma concolor capricornensis)
A Onça-parda é conhecida de várias formas: suçuarana, puma, onça-vermelha, jaguaruna, leão-baio e leão-da-montanha. É um animal que ocupa uma grande extensão geográfica, podendo ser encontrado desde o Canadá até ao Chile, no entanto com pouca frequência visto que se encontra sob risco de extinção, devido ao decréscimo de sua população. Felino de grande porte, seu comprimento vai desde 1,60 m a 2m, tem hábito crepuscular-noturno e solitário. Existe ainda a viver em natureza, porém ameaçada graças a outros predadores que com ela competem por alimento, e pode ser observada no Zoológico de Belo Horizonte, no Brasil. A preservação de grandes áreas de floresta e a redução do conflito com fazendeiros são essenciais para sua conservação.
Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus)
Este estranho mamífero é uma espécie de peixe-boi também conhecido como manatim e pode ser encontrado desde o litoral dos Estados Unidos ao Nordeste brasileiro. Um adulto pode viver até 50 anos, medir entre 2,5 m a 4 m e pesar cerca de 600 kg, o que significa que precisa de passar várias horas por dia se alimentando de algas, capim marinho, folhas de mangue e outras plantas aquáticas que fazem parte de sua dieta. Encontra-se em risco crítico de extinção sobretudo devido à caça e perda de habitat. Para piorar a situação, cada fêmea só tem uma cria de 3 em 3 anos, depois de um período de 12 meses em gestação. A proteção dos habitats costeiros e a implementação de áreas de proteção marinha são vitais para a sobrevivência desta espécie.
Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriácea)
A Tartaruga-de-couro é a maior das espécies de tartarugas, chegando a medir 2 m, e tem uma fisiologia muito particular, de cor preta com pintas brancas e uma carapaça com quilhas e menos rígida que a de outras espécies. Suas nadadeiras frontais permitem-lhe nadar longas distâncias pelo Oceano Pacífico, Índico, Atlântico e pelo Círculo Polar Ártico. Entre outros lugares, desovam também no litoral brasileiro, nomeadamente em Espírito Santo. Encontram-se em risco de extinção devido à poluição, destruição dos locais de desova e baixa taxa de sobrevivência dos filhotes. A poluição por plástico nos oceanos é uma ameaça crescente, assim como a pesca acidental, que afeta drasticamente a população dessas tartarugas.
Perereca-verde (Hylomantis granulosa)
Também os bichos pequenos estão em risco crítico de extinção no Brasil, como é o caso da Perereca-verde, que tem visto seu habitat, no interior de remanescentes florestas, sendo reduzido e ameaçado pela poluição. Em termo de aparência a pupila vertical é um aspeto bem característico desta espécie de anfíbio, que tem entre 35 a 40 mm de comprimento e corpo rugoso e colorido em tom de verde. Usa a camuflagem para se proteger dos predadores. A proteção dos cursos d'água e a restauração de habitats são ações essenciais para garantir a sobrevivência desta espécie.
Espadarte ou Peixe-serra (Pristis perotteti)
Este é um animal marinho bem peculiar graças à grande extensão de seu rostro num formato estreito e comprido, com dentes laterais, aparentando uma serra. O maior exemplar já capturado media 7 metros e tanto este como outras espécies de peixe-serra se encontram criticamente em perigo devido à caça e perda de habitat. É um animal temido pelas pequenas embarcações de pesca porque consegue causar grande estrago às redes com o rostro comprido, também usado para golpear peixes em cardumes com o objetivo de se alimentar deles. A criação de reservas marinhas e a regulamentação da pesca são fundamentais para proteger este e outros peixes que compartilham os mesmos ecossistemas.
Preservar habitat animal
Infelizmente existem muitas mais espécies em vias de extinção no território brasileiro, sobretudo devido a atos irresponsáveis do ser humano, que só pensa nos benefícios a curto-prazo e não se preocupa com o fato de estar a pôr em risco a existência destes animais. Algumas são espécies endêmicas e outras não, no entanto é muito importante preservar todas elas para que, no futuro, continuem presentes no nosso mundo. A conscientização e a educação ambiental são ferramentas poderosas para envolver a sociedade na causa da conservação, promovendo práticas sustentáveis e a proteção dos ecossistemas.
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